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Yes, temos o campeão

Fotos Alex Guaraná
Publicado em: Junho de 2007 - Ed. 260

O Brasil é número 1 da ASP no longboard! Phil Rajzman, com uma atuação impressionante, venceu pesos-pesados do pranchão no Oxbow World Championship Pro, e sagrou-se o primeiro brazuca a levantar o caneco de campeão mundial. Em entrevista exclusiva à FLUIR ele afirma: “Hoje quem domina o longboard é a molecada”.

E aí, Phil, qual foi a emoção ao levantar o caneco?

Foi uma sensação de dever cumprido. Treinei bastante durante os últimos seis meses e fui pra lá sabendo do meu potencial. Venci o

Oxbow na praia de Maresias em 2003, e no México, em 2004, por isso sabia que poderia ganhar aquele evento. Na real, senti que a minha dedicacão acabou me fazendo realizar meu grande sonho.

Você sempre se destacou em ondas maiores. Foi uma surpresa vencer em ondas pequenas?

Cara, como acabei de falar, treinei muito nestes últimos meses. Quando não tinha onda, ficava nadando, remando, sempre em contato com o oceano. Estou com umas pranchas gringas boas pra marola que usei constantemente quando o mar ficou merreca. Senti que evoluí bastante. O interessante é que passei a curtir o surf mais clássico do long, que é fazer as manobras no bico, sem pensar tanto nas manobras de pranchinha. Quando começei no pranchão, queria dar aéreo, batidão, floater, acho que mudei de concepção, percebendo que este lado clássico também é bacana. Ah, também passei um mês na Austrália pegando altas ondas, isso ajudou bastante, pois cheguei na França muito seguro.


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Como foi o duelo nas semis?

Na semifinal, caí contra o Carlos Bahia, campeão brasileiro, aliás, só peguei campeão (risos). Já estava amarradão, pois pelo menos um brasileiro iria pra final. O Bahia tava muito bem, tinha ido duas semanas antes pra Europa e chegou a ficar em 2º lugar numa etapa do Circuito Europeu. Ele começou melhor, com um 7,5. Na metade da bateria, veio uma onda maravilhosa. Entrei nela e dei um batidão na junção, desgarrando, e fui até a beira manobrando. Ganhei 9,5 dos juízes e o Bahia ficou precisando de 7,76 pra virar. A onda não veio e fui pra final não acreditando naquilo. Ainda fiquei assistindo a outra semi, com o (Danilo) Mulinha e o Bonga (Perkins). Quando o Mulinha venceu, fiquei muito contente, pois afinal seria uma final verdeamarela no Mundial.

Conte um pouco da última bateria.

Na final, colocaram o (Eduardo) Bagé para comentar e ler uns e-mails dos brasileiros que estavam assistindo pela internet. Aliás o Bagé foi 10. Deu a maior força pros brasileiros, já que ele morou lá e fala francês fluentemente. Ajudou o Bahia, que tava dormindo numa van, no estacionamento do campeonato. O cara foi 3o do mundo e passou esta roubada, não dá pra entender. Bem, a bateria final seguiu equilibrada até a metade, quando tirei 7. A partir daí, fui administrando até surfar a onda vencedora, quando fiz 8 e deixei o Mulinha precisando de 9 para virar. Os últimos cinco minutos pareciam intermináveis. Quando tocou a sirene, fui pro outside e fiquei lá, vendo a galera vibrando com a bandeira do Brasil e abraçando o Mulinha. Foi muito legal, uma emoção inesquecível.

E agora, será que o longboard vai ter mais apoio?

Sem dúvida! E quero fazer parte disso. Quando começei no long, meus amigos me zoavam dizendo que era coisa de velho. Hoje me ligam querendo comprar um pranchão. Acho até que isso me deu muita motivação para chegar aonde estou. Provar pra todos que o longboard nãe é coisa de velho. O “Surf Adventures, o Filme” foi pra mim o grande responsável por esta mudança no line up. O próprio Mulinha, o Bahia resolveram surfar de long, perpetuando a sementinha plantada pelo Rico e o Picuruta. Hoje quem domina o longboard é a molecada.
 

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Todos os direitos reservados Rogério Vasconcelos Longboard Team 2006

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